Para os poucos paulistanos que contei que tinha feito
quibebe me perguntaram o que era... para mim que minha avó fazia era um caldo
de mandioca onde se cozinhava a carne, tudo numa panela de pressão por uns
30-40 minutos, até amolescer a carne e depois deixava engrossar, a mandioca por
si só dava conta desse recado.
Achei que ficaria bem mais gostoso se eu refogasse tudo
antes, então um fio de óleo e: 1 cebola, alho e a carne, deixei refogar, formar
um fundinho na panela de pressão, daí acrescentei a mandioca e a água.
Deixei na pressão por 40 minutos, tirei e mantive em fogo
baixo, ajustei sal e pimenta e só deixei apurar, mais nada. O caldo engrossou e
ficou assim, maravilhoso!
Confesso que nunca ninguém me ensinou a fazer essa
costelinha, mas depois de ouvir as receitas cantadas de boca das mães e avós
mineiras que eu conheço: refogue em bastante cebola, junte a costelinha, doure
bastante e vá pingando água.
Exatamente assim eu fiz. Passei no açougue e comprei 1 kg de
costelinha de porco com osso, já cortada. Estava bem bonita, com bastante
carne.
1kg de costelinha de porco + 2 cebolas cortadas em cubinhos
Chegando em casa coloquei em uma assadeira e temperei com
sal e pimenta. Ideal seria deixar pegando tempero por umas 3 ou 4 horas porque
é carne de porco, demora a temperar, mas eu não tinha esse tempo, então ficou
só uns 20 minutinhos enquanto eu picava a cebola e colocava a panela para esquentar.
(No tempero também fica bem gostoso colocar limão mas eu esqueci...)
"Mise en place" pronto, começar!
Peguei uma panela grande, grossa que eu sei que forma
fundinho porque anti-aderente para este prato não rola... quer dizer, até rola
mas não fica igual, o que dá o sabor e cor ao prato é o fundinho. Então piquei
em cubinhos 2 cebolas médias e coloquei a panela para esquentar, quando estava
bem quente eu joguei a cebola, que foi formando um fundinho para deglacear.
Acrescentei a costelinha e deixei dourar, mexia de vez em
quando.
Cebola dourada, acrescentei a costelinha.
Deixei dourar bastante mesmo:
Começando a dourar
Esse fundinho pretinho grudado no fundo da panela é o segredo, tem de passá-lo para a carne.
Quando estava bastante dourada e com bastante fundinho preto grudado no
fundo da panela, como na foto abaixo, eu pingava água e tapava a panela, sempre
fogo médio. Isso cozinhava a costelinha. Daí eu ia só virando os pedaços da
costela, sem mexer com colher grande para manter os pedaços inteiros. Para
ficar no ponto certo, bem dourada demorou mais ou menos uma hora e meia
Já está quase no final...
Ao final ficou bem douradinha e gordurosa, eu
escorri o óleo, deixei as costelinhas escorrendo em peneira de metal e depois
adicionei água ao fundinho da panela, que formou um caldinho grossinho que
joguei por cima da costelinha para ficar mais molhadinha ainda.
Servi com
mandioca cozida e pimenta do meu quintal, decoração: orégano da minha horta.
Um abraço mineiro acompanhado de pimenta e orégano de casa...
Costelinha de porco = abraço Mineiro
"Upa" - como dizia meu avô quando dava abraço apertado na gente, eu tinha uns 7-8 anos.
No último sábado tive oportunidade de reviver algumas
horinhas da minha infância. Estive na Fazenda Brumado, deliciosa fazenda da
minha família por parte de mãe em que nós passávamos na infância todas as
férias de janeiro e julho.
Estava deslumbrada de rever todos aqueles detalhes,
sorrindo, mas quando cheguei em frente ao fogão a lenha, não aguentei, me emocionei
e chorei como criança.
Ter fazenda dá muito trabalho e fazer sair dinheiro de lá
não é fácil, por isso minha mãe acabou alugando para o Miltinho, um moço uma
gracinha que cuida direitinho da fazenda, com muito carinho!
Ele tem uma chocadeira elétrica, pega os ovos que suas
galinhas põem e leva para chocar, por 37 dias, conforme orientação. Depois os
pintinhos vão para uma gaiolinha com comida até ficarem grandinhos e poderem ir
para o puleiro. No puleiro eles crescem soltos, com a porta aberta, ele só
serve para comida. Então ao final do dia o Miltinho chama todos os franguinhos
com comida e dormem todos juntos nessa hora fechadinhos para evitar raposas. É
um cuidado diário que ele tem com estes frangos, mas são todos para consumo
próprio, ele não vende só consome.
Chocadeira elétrica
Guia para operar a chocadeira
"Miltinho" explicando como funciona e o filho só aprendendo tudo!
Como é fácil manusear, leve, "Miltinho" mostra
Os pintinhos vão então para o puleirinho.
Com bastante sol, comida e água
Quando ficam maiorzinhos são soltos até 8 meses, hora de comer!
OUTRAS FOTINHOS DA FAZENDA
Plantação de Sorgo (alimento para gado)
Será que bate sol na casa?
Achei lá minha escrivaninha, com marca registrada! hahah
Córrego que leva até o monjolo que era nossa casa de brinquedo
Eu descobri o Heston Blumenthal quando morava em Uberlândia
em 2011. Eu trabalhava no Hotel Presidente e tinha serviço de quarto 24horas,
isso exigia uma cozinheira noturna que era a Nalva, mas ela também precisava
folgar, então eu cobria as folgas dela que eram aos domingos.
Parece sacrificante entrar às dez da noite de domingo e sair
às seis da manhã de segunda-feira, passava a noite acordada a espera do
telefone, sozinha naquela cozinha enorme. Mas eu não achava ruim na verdade, eu
curtia porque era o momento que eu tinha liberdade na cozinha, com todos os
ingredientes a disposição, podia inventar o que quisesse treinar, criar, tudo! Eu
estava na cozinha, não tinha internet, não podia usar o computador, então eu
descobri a TV a Cabo e o Heston! Aos domingos tinha um canal (não me lembro mais
qual) fazia uma retrospectiva da semana do programa dele durante a madrugada,
começava a 1 da manhã, eu adorava! Só ficava brava quando o telefone tocava e
eu tinha de preparar algum prato durante o programa! Além de noites divertidas ao lado de Heston,
por trabalhar na madrugada eu tinha direito a um dia de folga a mais na escala.
O primeiro programa que eu assisti foi o Victorian’s Feast, era
um jantar especial Alice no País das Maravilhas, uma clássica novela victoriana.
Tem umas amostras no You Tube de pirar... Vou colocar todas aqui, no final do
post.
Antes quero contar um pouquinho da história desse cara que
sou super fã. Ele é auto-didata, que sonho! Fez um único estágio que durou 3
semanas, logo depois abriu o estrelado The Fat Duck. Mas antes disso ele passou
duros 4 anos estudando, testando e repetindo todas as receitas da culinária
francesa.
Ele é ótimo, o que mais gosto nele é o efeito de produzir
risadas. Ele transmite felicidade às pessoas, levando-as a um novo contexto,
ele tem o dom de tirar as pessoas do seu espaço e tempo, provocando risadas
naturalmente. Acredito que a satisfação de Heston está justamente na reação dos
convidados, ele tem uma mini tv na cozinha que assiste “gargalhando” às
surpresas que instiga nos comensais.
Heston toca as pessoas. Isso é gastronomia: transmitir amor
através da comida. Vejo este chá da tarde que ele fez para o programa como uma exposição
de arte, Heston expõe todo o amor que tem pelo trabalho que faz e transmite
isso a cada bocada.
Os chefs que eu já tive oportunidade de conhecer até hoje
buscariam um ou dois pratos e fariam um jantar comum, acho que até eu faria
assim... na mediocridade da minha imaginação. Mas Heston foi estudar absolutamente
tudo da época da Rainha Victoria, ele identificou o chá da tarde em Alice no
País das maravilhas como o pivot e então chamou uns convidados e criou todo um
contexto e fez os comensais se sentirem dentro de um livro infantil, a mais pura food experience!
Heston é um chef completamente apaixonado por resgatar
sentimentos no ato de comer. Não preciso dizer que um dos meus sonhos é
trabalhar com ele né?
Esse cara é demais! O melhor chef do mundo na minha opinião!
Ele já foi classificado como 1º na lista que está o nosso brasileiro Atala,
hoje Heston está em 12º lugar no Ranking, o The Fat Duck tem 3 estrelas Michelin
e é uma pena que não tenha uma competição que possa premiar os chefs além do
restaurante, em seus outros trabalhos de pesquisa e divulgação de sua arte, tenho
certeza que Heston estaria em primeiro!
Agora os meus vídeos prediletos do Heston:
Programa Victorian’s Feast
No primeiro programa que assisti, Heston reconstruiu
a história do “chá da tarde de Manhatham”, como ele chamou o evento que se
passa no livro Alice no País das Maravilhas como sendo o clássico chá da tarde.
Os comensais foram recebidos com espumante em um país das maravilhas do Heston,
um jardim verde com uma única mesa grande ao centro. De dentro da cozinha
Heston assiste a reação das pessoas, eles começam a rir “sem motivos” já começam
a se sentir no jardim de Alice:
Deste vídeo é incrível porque você pode dele assistir aos 4
pratos: Drink me potion; Mad Hatter tea; Edible Garden; Absinthe Jelly.
Drink me potion: esse video é maravilhoso, o Heston coloca 5
sabores em um mesmo drink cor de rosa: caramelo (toffee), torradas com manteiga
(hot buttered toasts), creme de confeiteiro (custard), torta de cereja (cherry
tart), e por último peru (turkey).
Incrivel assistir à preparação:
E
também à reação das pessoas:
O restante dos videos vou colocar só o link do you tube porque não sei se o blog aguentaria toda a minha paixão pelo Heston:
Edible Garden: ele fez um jardim comestível, solo
comestível, um país das maravilhas inteiro comestível. Antes de levar ao
jantar, ele leva as ruas de Londres e recebe gargalhadas dos comensais.
Absinthe Jelly: ele descobriu que nesta época foi também
descoberto o vibrador, vendido em sex shops e fez uma gelatina vibrante ahhaha
cena hilária! http://www.youtube.com/watch?v=Jkm8Z2Y-cg0 (Heston's guests try absinthe
jelly)
Daí tem a temporada toda de HOW TO COOK
LIKE HESTON que sou apaixonada, já assisti a vários episódios, fico procurando
pra baixar mais na internet porque realmente é incrível assistir e testar!